quinta-feira, 27 de março de 2014

Basta!

Exmos. Srs.,

No dia 25 de Março de 2014 foi emitida, no canal de televisão SIC, uma reportagem sobre aquele que é considerado o melhor árbitro português, não só da actualidade, mas de sempre, Pedro Proença, o único árbitro português a dirigir uma final de uma prova de selecções.

Obviamente que, sendo esta reportagem a primeira do género em Portugal, se compreende que seja notícia nos restantes órgãos de comunicação social nacionais, principalmente aqueles que versam sobre o desporto em geral e o futebol em particular, como é o caso do vosso jornal. Assim, não estranhei minimamente terem destacado o acontecimento na vossa página online. O que eu não compreendo é o destaque que os senhores optaram por dar, escrevendo como título da notícia "O meu erro terá marcado o título nacional", relatando uma confissão de Pedro Proença sobre o famoso golo de Maicon ao Benfica, em fora-de-jogo.

Não desejando eu imiscuir-me nos vossos critérios editoriais, parece-me que este destaque roça, de forma bastante intensa, a tacanhez e a pobreza de espírito. Numa reportagem onde ficamos a saber a forma altamente profissional como Pedro Proença se prepara para os jogos, o estudo aprofundado que efectua de todos os atletas que participam nos jogos por si dirigidos, o que o árbitro passou quando foi violentamente agredido e, até, a forma curiosa como Proença se dirige aos atletas, o vosso jornal optou por ir buscar uma história antiga, morta e enterrada. Este destaque desvirtua totalmente aquilo que foi a reportagem da SIC, que teria servido para mostrar o bom trabalho que, pelo menos alguns árbitros vão fazendo em Portugal, não fosse a mesquinhez que pautou esta notícia.

Uma reportagem que poderia ter servido para pacificar o futebol português e para credibilizar uma classe tantas e tantas vezes criticada, foi usada pelo órgão de comunicação social que os senhores dirigem como arma de arremesso para incendiar, ainda mais os ânimos. Enquanto os Pedros Proença deste país trabalham arduamente, lutam contra a má fama da classe e mais uma panóplia de adversidades, são vítimas de pressões que roçam a coacção e são ameaçados, o jornal Record opta por contribuir para o agravar destas adversidades.

Sim, porque não são só os dirigentes e os comentadores que provocam o clima de guerrilha permanente no futebol português. Os órgãos de comunicação social, com as notícias encomendadas, o facciosismo exacerbado e a desonestidade com que escrevem algumas notícias, influenciando as opiniões de leitores quando deveriam ser absolutamente isentos, uma vez que é isso que dizem ser, também contribuem para as permanentes confusões que marcam o nosso futebol. E portanto, com notícias como estas o Record torna-se, automaticamente, co-responsável pelas agressões, ameaças e actos de vandalismo que os árbitros têm sofrido.

Com os melhores cumprimentos,

João Ferreira

2 comentários:

reine margot disse...

ética!
é coisa que eles não conhecem.

e, sim, é bom que se escreva claramente que os jornalistas são co-responsáveis por muita da merda que se acumula na cabeça das pessoas e que as leva a agirem e/ou reagirem de forma completamente anormal...
o sr Goebels sabia bem disso...
quem parece que pode fazer de conta que não sabe são certos diretores de jornais...

Muito bem João; grande missão...

rbn disse...

Caro João, a BSTJ(benfiquistas e sportinguistas travestidos de jornalistas) não vai mudar nunca, a linha deles é atacar como puder o FCP, porque sabem que 60% do país é vermelho e verde, e para agradar a clientela, a tática é sempre a mesma:glorificar qualquer mísera vitória roubada da 2ª circular, e tirar todo e qualquer mérito do FCP.

Não vou me alongar, mas uma capa do rascord de 2007 é o que mais simboliza isso:
voce deve se lembrar dos 4ºs de final entre FCP e Man Utd na champions, e deve se lembrar da capa daquele dia d'O JOGO, com cinco jogadores portistas cuspindo fogo.No mesmo dia, na capa do rascord, estava o 3º guarda-redes lampião em foto gigante, o tal Moretto.

Mas continue a mandar os e-mails para aqueles vendidos, 99% dos portistas gostavam de lhes dizer a mesma coisa.

Off-topic:quando puderes, passas lá no meu blog

pelethebest.blogspot.pt

para conhecer.